✦ Resposta direta
Simulação para quem tem 25, 35 e 45 anos: quanto guardar para aposentar com R$3k, R$5k e R$8k/mês — e por que o INSS sozinho não basta.
MEI contribui R$75,90/mês para o INSS e se aposenta com 1 salário mínimo. Autônomo PF contribui 20% do salário de contribuição e pode se aposentar com até R$7.786/mês — se tiver contribuído sobre esse teto por 35 anos ou mais. Para quem não fez isso, a conta é outra. E para a maioria, é bem diferente do que se imagina.
O problema da aposentadoria do autônomo
Trabalhar por conta própria tem muitas vantagens. A aposentadoria não é uma delas — ao menos não automaticamente.
Quem é CLT tem FGTS (8% do salário todo mês), 13º salário, férias remuneradas e contribuição previdenciária dividida com o empregador. Quem é autônomo não tem nada disso. Toda a responsabilidade de construir patrimônio para a aposentadoria é sua.
O INSS garante uma aposentadoria básica se você contribuir. Mas o teto do benefício em 2026 é R$7.786/mês, e pouquíssimas pessoas chegam a esse valor. Para chegar lá, você precisaria ter contribuído sobre esse salário de contribuição por décadas inteiras.
A realidade da maioria dos autônomos é: benefício entre R$1.518 (salário mínimo, para quem contribuiu sobre o mínimo ou era MEI) e R$3.000–4.000/mês. Quem quer mais do que isso precisa construir uma poupança própria em paralelo.
O que o INSS paga
Depende de quanto você contribuiu e por quanto tempo:
MEI: o DAS inclui contribuição sobre 5% do salário mínimo. Benefício máximo: 1 salário mínimo (R$1.518/mês em 2026). Sem possibilidade de benefício maior — a não ser que o MEI faça complementação de INSS separada.
Contribuinte individual 20%: contribui sobre o salário de contribuição escolhido (entre R$1.518 e R$7.786). O benefício é calculado com base na média dos salários de contribuição ao longo da vida. Para se aposentar com R$5.000/mês, precisa ter contribuído próximo desse valor por muito tempo.
Aposentadoria por tempo de contribuição (pós-reforma): exige pelo menos 65 anos (homem) e 62 anos (mulher), mais 20 anos de contribuição para quem entrou após 2019.
Para se aposentar com R$5.000/mês pelo INSS, você precisa ter contribuído sobre esse valor por décadas. Quem começou tarde ou contribuiu sobre o mínimo não chega lá. A previdência privada não é luxo — é complemento necessário.
Quanto guardar por mês
A lógica dos juros compostos é simples: quem começa mais cedo precisa guardar muito menos por mês para chegar ao mesmo resultado. O dinheiro trabalha pelo tempo.
Para ter uma renda mensal complementar ao INSS na aposentadoria, você precisa construir um patrimônio suficiente para gerar essa renda passiva — seja por juros, dividendos ou resgate gradual.
Usando uma taxa de retorno real de 10% ao ano (aproximada para investimentos de renda fixa de longo prazo em cenário brasileiro com SELIC elevada) e considerando que você terá 25 anos de aposentadoria para usar o dinheiro acumulado, a tabela abaixo mostra quanto guardar por mês para cada cenário:
Simulação por idade e renda desejada
As simulações abaixo assumem:
- Retorno de 10% ao ano (nominal, antes de IR)
- Horizonte de acumulação: até os 65 anos
- Uso do patrimônio por 25 anos (65 a 90)
- Valores são aproximações indicativas — use como ponto de partida
| Renda desejada/mês | Começou aos 25 | Começou aos 35 | Começou aos 45 |
|---|---|---|---|
| R$3.000/mês | R$420/mês | R$890/mês | R$2.400/mês |
| R$5.000/mês | R$700/mês | R$1.480/mês | R$4.000/mês |
| R$8.000/mês | R$1.120/mês | R$2.370/mês | R$6.400/mês |
A diferença entre começar aos 25 e começar aos 45 é brutal: para ter R$5.000/mês na aposentadoria, quem começa aos 25 guarda R$700/mês. Quem começa aos 45 precisa de R$4.000/mês — quase 6 vezes mais.
Esses valores são de complementação. Se o INSS vai pagar R$2.000/mês, você precisa guardar apenas o complemento para chegar à renda total desejada. MEI que quer R$5.000/mês na aposentadoria precisa complementar R$3.482 (R$5.000 menos R$1.518 do INSS). Refaça o cálculo com esse valor.
Onde investir a previdência
Não existe uma resposta única. A estratégia depende da sua idade, tolerância a risco e se você paga IR ou não. Mas há opções concretas:
Tesouro Selic: liquidez diária, rendimento próximo à SELIC, ideal para reserva de emergência e parte conservadora da carteira. Não é o melhor para aposentadoria de longo prazo, mas é seguro e simples.
CDB de longo prazo: emitidos por bancos médios com retorno de 110% a 130% do CDI. Com garantia do FGC até R$250 mil por instituição. Bom para quem quer mais retorno sem grande complexidade.
Previdência privada (PGBL/VGBL): específica para aposentadoria, com vantagem fiscal em alguns casos. Ideal para valores maiores e horizonte longo. Detalhes na próxima seção.
Fundos de Investimento Imobiliário (FII): distribuem rendimentos mensais isentos de IR para pessoa física. Volatilidade moderada. Para quem já tem certa estabilidade financeira e quer diversificar.
A estratégia mais simples e eficaz para a maioria: Tesouro IPCA+ (garante rendimento real acima da inflação) ou CDB longo prazo + PGBL/VGBL para o benefício fiscal.
PGBL vs VGBL para autônomo
Esses dois são os planos de previdência privada mais comuns no Brasil. A diferença está no tratamento fiscal:
PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre):
- Deduz até 12% da renda bruta tributável do IR no ano do aporte
- No resgate, o IR incide sobre o total (principal + rendimentos)
- Indicado para quem faz declaração pelo modelo completo e paga IR significativo
- Autônomo que fatura bem e está na faixa de 27,5% → PGBL faz sentido
VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre):
- Sem dedução no IR agora
- No resgate, o IR incide apenas sobre os rendimentos (não sobre o principal)
- Indicado para quem usa declaração simplificada, não paga IR, ou já atingiu o limite de 12% com PGBL
Para o autônomo MEI (baixa renda tributável, pouco ou nenhum IR a pagar): VGBL geralmente é melhor. Não há vantagem fiscal do PGBL se você não paga IR.
Para o autônomo PF ou Simples com faturamento alto (acima de R$40k/ano e pagando IR na faixa de 22,5% ou 27,5%): PGBL pode representar economia real de R$3.000–8.000/ano em IR diferido.
É possível ter os dois: PGBL até 12% da renda (para o benefício fiscal máximo) e VGBL para o excedente (para não comprometer o tratamento do resgate futuro). Seu contador ou planejador financeiro pode simular o cenário mais vantajoso.
Para aprofundar a comparação entre previdência privada e INSS, veja o guia aposentadoria para autônomo: INSS ou previdência privada.