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Impostos

Quanto o autônomo paga de imposto por mês: a conta real para CPF, MEI e Simples

Simulação com três faixas de faturamento: veja quanto vai para o governo no CPF, MEI e Simples Nacional — e qual regime paga menos.

8 min de leitura

R$ 3.000 recebidos como CPF viram R$ 1.980 líquidos depois de IR e INSS. Isso não é exagero — é a tabela de 2026.

A maioria dos autônomos não faz essa conta. Trabalha, recebe, e percebe no fim do mês que sobrou muito menos do que esperava. O problema não é só o IR: é a combinação de IR + INSS + ISS que come uma fatia enorme da receita de quem trabalha como pessoa física.

Este artigo apresenta a simulação completa com três faixas de faturamento — R$ 3.000, R$ 5.000 e R$ 10.000 mensais — nos três regimes principais: CPF (pessoa física), MEI e Simples Nacional. Os números são de 2026.


Como foi feita a simulação

Premissas adotadas:

  • Prestação de serviços (não comércio ou indústria)
  • Sem dependentes, sem deduções de Livro Caixa no CPF
  • INSS no CPF: alíquota de 20% sobre a receita (contribuinte individual padrão), limitado ao teto do INSS (R$ 8.157,41/mês em 2026)
  • ISS no CPF: 5% sobre a receita bruta (alíquota comum em serviços nas principais cidades)
  • MEI: DAS de R$ 75,90/mês para prestador de serviços (inclui INSS + ISS + IRPJ fixo)
  • Simples Nacional Anexo III: faixa de receita bruta anual até R$ 180.000 (alíquota 6%) e até R$ 360.000 (alíquota 11,2%), com Fator R favorável (folha de pagamento ≥ 28% da receita)
  • Simples Nacional Anexo V: mesmas faixas, sem Fator R favorável (alíquota 15,5% e 17,5%)

Os valores de IR no CPF foram calculados com a tabela progressiva 2026 após dedução do INSS.


CPF (pessoa física): o mais caro

Trabalhar como CPF é o regime mais simples de abrir — e o mais caro. Não há mensalidade de contador, não há abertura de empresa. Mas os impostos chegam em três frentes ao mesmo tempo.

R$ 3.000/mês como CPF

TributoBase de cálculoAlíquotaValor
INSSR$ 3.00020%R$ 600
IR (carnê-leão)R$ 2.400 (após INSS)Isento (abaixo de R$ 2.824)R$ 0
ISSR$ 3.0005%R$ 150
Total de impostosR$ 750
LíquidoR$ 2.250
Carga tributária25%

R$ 5.000/mês como CPF

TributoBase de cálculoAlíquotaValor
INSSR$ 5.00020%R$ 1.000
IR (carnê-leão)R$ 4.000 (após INSS)15% − R$ 492,87R$ 107,13
ISSR$ 5.0005%R$ 250
Total de impostosR$ 1.357,13
LíquidoR$ 3.642,87
Carga tributária27,1%

R$ 10.000/mês como CPF

TributoBase de cálculoAlíquotaValor
INSSR$ 10.00020% (teto: R$ 8.157,41)R$ 1.631,48
IR (carnê-leão)R$ 8.368,52 (após INSS)27,5% − R$ 1.120,56R$ 1.180,78
ISSR$ 10.0005%R$ 500
Total de impostosR$ 3.312,26
LíquidoR$ 6.687,74
Carga tributária33,1%

O INSS do CPF é o maior vilão silencioso: 20% sobre a receita bruta, sem teto real para rendas mais baixas. Para quem ganha R$ 3.000, o INSS representa 80% da carga tributária total.


MEI: o DAS fixo

O MEI paga um valor fixo mensal: o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Em 2026, o DAS para prestadores de serviço é R$ 75,90/mês — valor único que engloba INSS (5% do salário mínimo), ISS fixo e IRPJ simbólico.

FaturamentoDAS mensalImposto totalCarga tributária
R$ 3.000/mêsR$ 75,90R$ 75,902,5%
R$ 5.000/mêsR$ 75,90R$ 75,901,5%
R$ 10.000/mêsR$ 75,90R$ 75,900,76%

O MEI tem a menor carga tributária absoluta do mercado para quem fatura dentro do limite. A desvantagem está nos detalhes:

Limite de faturamento: R$ 81.000/ano (R$ 6.750/mês em média). Quem ultrapassa precisa migrar para outro regime.

Benefícios previdenciários reduzidos: o INSS do MEI é de 5% do salário mínimo — suficiente para aposentadoria por tempo de contribuição, mas no valor de 1 salário mínimo. Sem complementação adicional, a aposentadoria será de R$ 1.518/mês (salário mínimo 2026).

Impossibilidade de contratar funcionários: o MEI pode ter no máximo 1 funcionário com salário mínimo. Para crescer com equipe, precisa migrar para ME ou EPP.


Simples Nacional: depende do anexo

O Simples Nacional é o regime tributário de CNPJ mais usado por pequenas empresas. A alíquota não é fixa — depende do anexo em que sua atividade se enquadra e do seu faturamento acumulado nos últimos 12 meses.

Para serviços, existem dois anexos principais:

Anexo III (atividades como TI, publicidade, arquitetura, fisioterapia): alíquota começa em 6% e é favorecida pelo Fator R. Se sua folha de pagamento (pró-labore + salários) for igual ou superior a 28% da receita bruta dos últimos 12 meses, você se enquadra no Anexo III.

Anexo V (serviços profissionais como engenharia, consultoria, medicina, advocacia sem OAB especial): alíquota começa em 15,5% — mais de duas vezes o Anexo III.

Simples Nacional — Anexo III (Fator R favorável)

Faturamento mensalReceita bruta anual aprox.Alíquota efetivaImposto mensal
R$ 3.000R$ 36.0006,0%R$ 180
R$ 5.000R$ 60.0006,0%R$ 300
R$ 10.000R$ 120.00011,2%R$ 1.120

Simples Nacional — Anexo V (sem Fator R)

Faturamento mensalReceita bruta anual aprox.Alíquota efetivaImposto mensal
R$ 3.000R$ 36.00015,5%R$ 465
R$ 5.000R$ 60.00015,5%R$ 775
R$ 10.000R$ 120.00017,5%R$ 1.750

O Fator R é o principal fator de planejamento tributário no Simples Nacional para serviços. Pagar um pró-labore maior ao sócio-administrador pode migrar a empresa do Anexo V para o Anexo III — reduzindo a alíquota de 15,5% para 6%.


Comparativo por faixa de renda

RegimeR$ 3.000/mêsR$ 5.000/mêsR$ 10.000/mês
CPF (pessoa física)R$ 750 (25%)R$ 1.357 (27,1%)R$ 3.312 (33,1%)
MEIR$ 76 (2,5%)R$ 76 (1,5%)Não permitido*
Simples — Anexo IIIR$ 180 (6%)R$ 300 (6%)R$ 1.120 (11,2%)
Simples — Anexo VR$ 465 (15,5%)R$ 775 (15,5%)R$ 1.750 (17,5%)

*O MEI tem limite de R$ 81.000/ano. Faturamento de R$ 10.000/mês por 12 meses = R$ 120.000 — acima do limite.

Os valores de CPF incluem INSS + IR + ISS. Os valores do Simples são apenas o DAS (o Simples unifica todos os tributos federais, estaduais e municipais em uma guia).


Qual regime paga menos?

A resposta direta: MEI paga menos em termos absolutos para quem cabe no limite. Mas para quem fatura acima de R$ 81.000/ano, o MEI não é uma opção.

Entre os regimes disponíveis para faturamentos maiores:

  • Simples Anexo III é muito mais barato que CPF para quase todas as faixas de renda. Quem ganha R$ 5.000/mês paga R$ 300 no Simples III contra R$ 1.357 no CPF — uma economia de R$ 1.057/mês.
  • Simples Anexo V ainda é mais barato que CPF para rendas acima de R$ 5.000, mas a diferença diminui.
  • CPF é o pior regime em termos de carga tributária para quem tem renda consistente, especialmente porque o INSS de 20% não tem equivalente no Simples ou MEI.

O problema: abrir CNPJ tem custos de abertura, obrigações contábeis mensais (R$ 150 a R$ 400/mês de contador) e exige disciplina financeira separada. Para rendas baixas e irregulares, o CPF pode ser mais simples apesar da carga maior.

A decisão entre regimes depende do faturamento, da regularidade da renda, dos custos operacionais e da atividade específica. Quer comparar sua situação específica? Use a calculadora Comparador CPF vs CNPJ.

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