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Precificação

Quanto Cobrar por Hora como Freelancer: O Método Correto

Como autônomo, PJ e MEI calculam o preço por hora em 2026: parte dos custos reais, considera horas vendáveis (120h/mês, não 160), reserva 22% para férias e 13°, embute imposto por regime (DAS R$ 86,05 ou Simples Anexo III) e tem fórmula pronta com exemplo numérico.

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✦ Resposta direta

Como autônomo, PJ e MEI calculam o preço por hora em 2026: parte dos custos reais, considera horas vendáveis (120h/mês, não 160), reserva 22% para férias e 13°, embute imposto por regime (DAS R$ 86,05 ou Simples Anexo III) e tem fórmula pronta com exemplo numérico.

A maioria dos profissionais autônomos, PJ e MEI — designer, dev, redator, fotógrafo, social media, advogado, fisioterapeuta — define quanto cobrar da mesma forma: olha o que o colega cobra, desconta um pouco para "não assustar o cliente" e torce para que sobre dinheiro no fim do mês. Spoiler: quase nunca sobra.

O problema não é o mercado. É a metodologia. Preço que parte de fora para dentro — do que o mercado paga para o que você precisa ganhar — quase sempre resulta em subprecificação. O método correto faz o caminho inverso.


Resumo prático em 5 passos

  1. Levante seus custos fixos mensais — operacionais (internet, software, equipamento, profissional contábil habilitado se PJ) + pessoais (aluguel, plano de saúde, alimentação, transporte). Use o extrato dos últimos 3 meses.
  2. Calcule horas vendáveis reais — média 120h/mês (não 160h). 6h/dia × 20 dias úteis. As outras 2h/dia vão para prospecção, briefing, gestão e capacitação.
  3. Acrescente 22% de reserva para férias (1/12) + 13° (1/12) — autônomo não tem isso embutido como CLT.
  4. Embuta o imposto conforme regime: MEI = DAS fixo R$ 86,05/mês para serviços em 2026 (não percentual); Simples Nacional Anexo III = 6%-14,7% (com Fator R ≥ 28%); Simples Anexo V = 15,5%-19,6%; Carnê-leão (PF) = 7,5%-27,5% progressivo.
  5. Fórmula final: Preço/hora = (Custos + Lucro desejado) × 1,22 / horas vendáveis / (1 - alíquota). Exemplo no artigo abaixo. Confirme rodando a calculadora de preço/hora.

Por que olhar o mercado é o erro mais comum

Pesquisar quanto outros freelancers cobram não é inútil. É útil para entender o teto do mercado, a percepção de valor da sua área, o que clientes estão acostumados a pagar.

Mas não serve para definir o seu preço mínimo. Por quê?

Porque o freelancer que cobra R$ 80/hora pode ter custos de R$ 500/mês vivendo com os pais. Você pode ter aluguel, plano de saúde e filhos. Cobrar o mesmo preço dele significa trabalhar muito mais para ter muito menos.

O preço correto é o que cobre seus custos + suas obrigações fiscais + a vida que você quer ter. O mercado define o teto. Suas necessidades definem o piso.


Passo 1: Levante seus custos fixos mensais

Comece listando tudo que você gasta para poder trabalhar — independentemente de ter ou não cliente aquele mês:

Custos operacionais:

  • Aluguel do escritório ou percentual do home office
  • Internet, energia elétrica, telefone (percentual profissional)
  • Softwares e assinaturas de trabalho
  • Equipamentos (custos de depreciação mensal)
  • Contabilidade, se tiver profissional contábil habilitado

Custos pessoais obrigatórios:

  • Aluguel ou prestação da casa
  • Plano de saúde
  • Alimentação básica
  • Transporte
  • Outras despesas fixas pessoais

Some tudo. Esse é o valor que você precisa faturar só para não ficar no vermelho. Acima disso começa o lucro.

Use o extrato bancário dos últimos 3 meses. Não tente estimar de memória — as despesas "esquecidas" (assinaturas anuais, seguros, impostos atrasados) somam mais do que parecem no papel.


Passo 2: Calcule suas horas vendáveis reais

Esse é o erro de cálculo mais comum: usar 160 horas por mês (8h × 20 dias) como base. Na prática, você não cobra de clientes por toda hora trabalhada.

De onde saem as horas não-vendáveis:

  • Prospecção de novos clientes
  • Reuniões de briefing e alinhamento
  • Revisões e ajustes não previstos
  • Gestão administrativa (emissão de nota, controle financeiro)
  • Capacitação e atualização profissional
  • Imprevistos e doenças

Média realista: 6 horas vendáveis por dia × 20 dias úteis = 120 horas/mês

Para freelancers que ainda estão construindo carteira (muita prospecção), 100h/mês é um número mais conservador e seguro.


Passo 3: Reserve para férias e 13º

CLT tem férias e 13º embutidos no salário bruto. Freelancer não — e quem não reserva para isso acaba trabalhando o ano inteiro sem conseguir tirar férias, ou parando e ficando sem renda.

A reserva é simples: para cada mês trabalhado, você está "acumulando" 1/12 de férias e 1/12 de 13º — o equivalente a 22,22% do que precisa ganhar reservado para quando parar.

Na prática: se você precisa de R$ 10.000/mês líquidos para viver, precisa faturar R$ 10.000 × 1,22 = R$ 12.200/mês para poder tirar 30 dias de férias por ano sem se endividar.


Passo 4: Adicione os impostos

Os impostos não são descontados do seu lucro — são custos do negócio que precisam estar embutidos no preço. As alíquotas variam conforme seu regime:

RegimeAlíquota aproximada para serviços
MEI (faturamento até R$ 81 mil/ano)DAS fixo R$ 86,05/mês em 2026 — não percentual sobre faturamento
Simples Nacional — Anexo III (Fator R ≥ 28%)6% a 14,7%
Simples Nacional — Anexo V (Fator R < 28%)15,5% a 19,6%
Carnê-Leão (PF, sem CNPJ)7,5% a 27,5% progressivo (tabela ano-base 2025; nova tabela Lei 15.270/2025 vige na retenção mensal de 2026)

Para calcular o preço com imposto embutido, use a fórmula:

Preço = Valor necessário / (1 − alíquota)

Exemplo com 15% de imposto e R$ 12.200 necessários: R$ 12.200 / (1 − 0,15) = R$ 14.353/mês de faturamento necessário


Exemplo completo com números reais

Perfil: Designer gráfico freelancer, trabalhando de casa, no Simples Nacional (Anexo III, Fator R ≥ 28%, alíquota 6%).

Custos mensais levantados:

CategoriaValor
Aluguel do apartamentoR$ 2.000,00
Internet (100% profissional)R$ 150,00
Adobe Creative CloudR$ 230,00
Plano de saúdeR$ 350,00
AlimentaçãoR$ 800,00
TransporteR$ 200,00
Outros custos fixosR$ 270,00
Total de custosR$ 4.000,00

Lucro desejado além dos custos: R$ 4.000,00 (para investir, poupar e imprevistos)

Total necessário líquido: R$ 8.000,00/mês

Com reserva de férias e 13º (22%): R$ 8.000 × 1,22 = R$ 9.760,00

Com imposto embutido (6% Simples): R$ 9.760 / 0,94 = R$ 10.383,00 de faturamento necessário

Horas vendáveis por mês: 120 horas

Preço por hora: R$ 10.383 / 120h = R$ 86,53/hora ≈ R$ 87/hora

O que esse número significa na prática: um projeto de identidade visual que leva 20 horas deve ser cotado em R$ 1.740 (20h × R$ 87). Um site que leva 40 horas: R$ 3.480. Não é o mercado que define — é sua conta.

Agora veja o que acontece se esse mesmo designer decide cobrar R$ 60/hora "para não assustar o cliente":

CenárioFaturamento mensal (120h)Sobra líquida
R$ 60/horaR$ 7.200R$ 2.389 negativos
R$ 87/horaR$ 10.440R$ 0 (no ponto de equilíbrio)
R$ 100/horaR$ 12.000R$ 1.140 de lucro extra

Cobrar R$ 60/hora não é humildade. É trabalhar no vermelho.


Quando e como aumentar o preço

Seu preço por hora não é eterno. Ele deve ser revisado quando:

  • A inflação corrói o poder de compra — ao menos 1 vez ao ano, reajuste pelo IPCA acumulado (em 2025 foi ~4,8%)
  • Seus custos aumentam — aluguel subiu, plano de saúde ficou mais caro, você contratou serviços novos
  • Sua expertise cresceu — você entregou resultados documentados que justificam mais
  • Sua demanda supera a oferta — você está recusando projetos por falta de agenda

O reajuste não precisa acontecer para todos os clientes ao mesmo tempo. Comece pelos novos projetos e projetos de renovação. Veja nosso guia sobre como comunicar reajuste de preços sem perder clientes.


Calcule o seu valor em minutos

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