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MEI ou Simples Nacional em 2026: qual vale mais?

MEI cobra R$ 86,05 fixos por mês (serviços, base no salário mínimo R$ 1.621). O Simples Nacional cobra entre 6% e 33% do faturamento, conforme anexo e Fator R. Este guia compara os dois regimes com simulações para R$ 3 mil, R$ 6 mil e R$ 12 mil/mês e mostra quando migrar.

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7 min de leitura

✦ Resposta direta

MEI cobra R$ 86,05 fixos por mês (serviços, base no salário mínimo R$ 1.621). O Simples Nacional cobra entre 6% e 33% do faturamento, conforme anexo e Fator R. Este guia compara os dois regimes com simulações para R$ 3 mil, R$ 6 mil e R$ 12 mil/mês e mostra quando migrar.

MEI paga R$ 86,05 fixo por mês. Simples Nacional pode cobrar de 6% a 33% do faturamento. A diferença é enorme — e quase ninguém calcula antes de decidir.

Resumo prático antes do detalhamento

  1. MEI 2026: DAS de R$ 86,05 (serviços), R$ 82,05 (comércio) ou R$ 87,05 (ambas), com base no salário mínimo R$ 1.621
  2. Simples Anexo III: alíquota inicial 6% (com Fator R ≥ 28%)
  3. Simples Anexo V: alíquota inicial 15,5% (com Fator R < 28%)
  4. Limite MEI: R$ 81.000/ano de receita bruta total (LC 123/2006)
  5. Limite ME no Simples: R$ 360.000/ano; EPP: até R$ 4.800.000/ano
  6. MEI vencedor: faturamento até ~R$ 6.500/mês com atividade permitida e perfil simples
  7. Simples vencedor: faturamento acima de R$ 6.750/mês, profissão regulamentada vedada no MEI ou necessidade de mais funcionários

Principais diferenças

Antes de comparar o custo, é preciso entender o que separa os dois regimes em termos estruturais:

CritérioMEISimples Nacional (ME)
Faturamento máximoR$81.000/anoR$4.800.000/ano
Funcionários permitidos1Sem limite
ImpostoDAS fixo mensal% sobre faturamento
Atividades aceitas700+ (lista restrita)Quase todas
Profissões regulamentadasNão aceitaAceita
Base da aposentadoria1 salário mínimoProporcional ao pró-labore
Precisa de profissional contábil habilitadoNãoSim (obrigatório)
Custo de aberturaGratuito~R$500–R$1.500

A diferença mais visível é o imposto: no MEI você paga um valor fixo independentemente de quanto fatura. No Simples, você paga uma alíquota sobre o que entrou no caixa. Para faturamentos baixos, o MEI quase sempre vence. Para faturamentos altos — ou perto do teto — o cálculo muda.

Quando o MEI é melhor

O MEI é a escolha mais eficiente quando você:

  • Fatura abaixo de R$81.000/ano (R$6.750/mês) e não está perto do teto
  • Trabalha sozinho, sem funcionários além do eventual
  • Exerce uma atividade permitida pela lista do Portal do Empreendedor
  • Não precisa de profissão regulamentada (você não é médico, advogado, profissional contábil habilitado etc.)
  • Quer simplicidade máxima: sem profissional contábil habilitado mensal obrigatório, sem apuração de impostos

Para um prestador de serviços que fatura R$4.000/mês, o MEI cobra R$ 86,05 fixos — isso representa apenas 2% do faturamento. É um dos menores custos tributários da América Latina para esse porte.

Quando o Simples Nacional compensa

O Simples Nacional passa a fazer sentido quando um ou mais dos seguintes fatores se aplicam:

Faturamento alto: quando você está próximo ou acima do teto de R$81.000/ano, a migração é obrigatória — e pode ser estratégica se planejada com antecedência.

Fator R ativo: prestadores de serviços no Simples Nacional que têm folha de pagamento equivalente a pelo menos 28% do faturamento dos últimos 12 meses se enquadram no Anexo III, com alíquota inicial de 6%. Isso é menos que alguns cenários de tributação PF.

Profissão regulamentada: médicos, advogados, engenheiros, psicólogos e outros profissionais de nível superior não podem ser MEI. Para eles, o Simples é o regime mais acessível.

Mais de um funcionário: se você precisa contratar mais de uma pessoa, o MEI bloqueia o crescimento. No Simples, não há limite de funcionários.

Clientes que exigem ME: algumas empresas grandes e órgãos públicos exigem que o fornecedor seja Microempresa (ME) ou superior, não apenas MEI. Isso é raro, mas acontece.

Simulação por faturamento

Vamos comparar os custos reais para três perfis de faturamento mensal, considerando um prestador de serviços no Simples pelo Anexo III (menor alíquota, 6%, possível com Fator R):

R$3.000/mês

RegimeImposto mensal% do faturamento
MEIR$ 86,05 (DAS fixo)2,7%
Simples Nacional — Anexo III (6%)R$ 180,006,0%
Simples Nacional — Anexo V (15,5%)R$ 465,0015,5%

Vencedor: MEI — com folga.

R$6.000/mês (próximo ao teto do MEI)

RegimeImposto mensal% do faturamento
MEIR$ 86,05 (DAS fixo)1,3%
Simples Nacional — Anexo III (6%)R$ 360,006,0%
Simples Nacional — Anexo V (15,5%)R$ 930,0015,5%

Vencedor: MEI — mas atenção: faturamento de R$6.000/mês ao longo de 12 meses resulta em R$72.000/ano, dentro do limite. Um mês com R$8.000 já eleva a média perigosamente.

R$12.000/mês (acima do teto do MEI)

RegimeImposto mensal% do faturamento
MEIInviável (teto ultrapassado)
Simples Nacional — Anexo III (6%)R$720,006,0%
Simples Nacional — Anexo V (15,5%)R$1.860,0015,5%

Aqui o MEI não é uma opção. No Simples Anexo III com Fator R, o custo de R$720/mês sobre R$12.000 de faturamento é 6% — razoável considerando que você também passa a ter acesso a todas as atividades, sem limite de funcionários e com aposentadoria proporcional ao pró-labore.

O anexo importa: a alíquota do Simples varia muito dependendo da atividade e do faturamento acumulado. Anexo III começa em 6%; Anexo V começa em 15,5%. A diferença de folha de pagamento (Fator R) determina qual se aplica. Consultar um profissional contábil habilitado antes de migrar não é opcional.

Como migrar do MEI para Simples

A migração é feita em duas etapas:

  1. Desenquadramento do MEI: acesse o Portal do Empreendedor (gov.br/mei), faça login, e escolha a opção "Desenquadramento". O CNPJ do MEI é encerrado. Você recebe um comprovante com o número de protocolo.

  2. Abertura de ME no Simples Nacional: com o CNPJ MEI encerrado, você abre um novo CNPJ como Microempresa (ME) diretamente pelo Portal do Simples Nacional ou com auxílio de um profissional contábil habilitado. O processo inclui escolha do CNAE, regime tributário e registro na Junta Comercial do estado.

O processo completo leva de 3 a 10 dias úteis. A abertura de ME tem custo, que varia por estado e profissional contábil habilitado (geralmente R$500–R$1.500 incluindo taxas de registro).

Importante: se você não planejar a transição com antecedência, pode ficar alguns dias sem CNPJ ativo — o que impede emissão de notas fiscais.

Se você está próximo do teto de R$81.000/ano, planeje agora. Se ultrapassar em mais de 20% (acima de R$97.200 no ano), o desenquadramento é retroativo a janeiro do mesmo ano — e você recolhe os impostos como Simples Nacional pelo período inteiro, com multa. Monitore o faturamento acumulado todo mês.

A decisão final

A regra simples: enquanto você estiver abaixo de R$6.000/mês de faturamento, com atividade permitida e sem funcionários, o MEI é imbatível. Nenhum outro regime tributário entrega custo tão baixo para essa faixa.

A partir de R$7.000–R$8.000/mês, você já deve começar a planejar a migração — não porque o MEI seja ruim, mas porque o risco de estourar o teto e ser autuado retroativamente é alto demais para ignorar.

Se a sua atividade é regulamentada ou se você já fatura consistentemente acima de R$6.750/mês, o Simples Nacional Anexo III com Fator R é o caminho mais eficiente — especialmente se você conseguir configurar a folha de pagamento para ativar a alíquota de 6%.

Compare os regimes com números do seu faturamento real na Calculadora de Regimes


Cobertura previdenciária: o que muda entre os dois regimes

A escolha entre MEI e Simples Nacional afeta diretamente a aposentadoria e os benefícios do INSS:

  • MEI: INSS de 5% do mínimo (R$ 81,05/mês dentro do DAS) garante aposentadoria pelo salário mínimo (R$ 1.621 em 2026), auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade e pensão por morte — todos pelo mínimo
  • Simples com pró-labore: INSS retido sobre o pró-labore declarado garante cobertura proporcional ao valor; quem declara pró-labore mais alto, aposenta com benefício mais alto (limitado ao teto INSS R$ 8.475,55 em 2026)
  • EC 103/2019: mudou as regras de aposentadoria — não há mais aposentadoria pura por tempo de contribuição para quem entrou após 13/11/2019; vale aposentadoria por idade ou regras de transição

Para análise completa da estratégia previdenciária do autônomo, veja o guia de aposentadoria do autônomo: INSS ou previdência privada.

Erros comuns ao decidir entre MEI e Simples

  1. Ignorar o teto porque "este mês foi atípico" — o limite é anual e cumulativo
  2. Migrar correndo depois de estourar — desenquadramento retroativo gera multa
  3. Não calcular Fator R antes de abrir Simples — pode cair no Anexo V (15,5%) por engano
  4. Esquecer o custo contábil do Simples — R$ 200 a R$ 400/mês adicionais
  5. Confundir MEI com isenção — MEI ainda paga DAS, ISS está embutido, não há isenção
  6. Misturar finanças PF e PJ — em qualquer regime, separar finanças PF e PJ é fundamental
  7. Não atualizar o regime quando atividade muda — alguns CNAEs deixam de ser permitidos no MEI

Para detalhes da migração e do que muda no dia a dia depois de virar Microempresa, veja o guia completo de quando trocar MEI para Simples. Para entender o que está embutido no DAS além do INSS, consulte o guia completo do DAS MEI.

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