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Do cadastro ao desenquadramento: tudo sobre MEI em 2026 — limite, DAS, obrigações, funcionário e quando migrar para o Simples Nacional.
O MEI é o regime mais simples do Brasil para quem trabalha por conta própria. Mas simples não significa sem regras — e muitos microempreendedores perdem dinheiro por não conhecer os limites, as obrigações e os momentos certos para mudar de regime.
Este guia reúne tudo que você precisa saber sobre o MEI em 2026: do primeiro cadastro até a decisão de migrar para o Simples Nacional. Cada seção aprofunda um tema específico com link para o artigo detalhado — use o sumário para ir direto ao que você precisa.
O que é o MEI e quem pode ser
O Microempreendedor Individual é uma categoria jurídica criada para formalizar trabalhadores autônomos com baixo faturamento. Ao se cadastrar como MEI, você obtém CNPJ, pode emitir nota fiscal, assinar contratos como pessoa jurídica e acessa benefícios previdenciários como auxílio-doença e aposentadoria por tempo de contribuição.
Em 2026, o limite de faturamento anual do MEI é de R$ 81.000,00 — equivalente a R$ 6.750,00 por mês. Quem ultrapassa esse teto ao longo do ano precisa migrar para o Simples Nacional ou outro regime antes do encerramento do exercício fiscal.
Nem toda atividade pode ser exercida como MEI. A lista de ocupações permitidas — chamada de Tabela de Ocupações do MEI — é publicada e atualizada pelo governo federal. Atividades de saúde regulamentadas (como médicos e dentistas), advocacia, engenharia e algumas profissões de nível superior estão excluídas. O MEI também não pode ter sócio e só pode contratar um funcionário com salário-mínimo ou piso da categoria.
Antes de abrir seu MEI, consulte o Portal do Empreendedor para verificar se sua atividade consta na lista permitida. Cadastrar uma atividade não autorizada pode resultar em cancelamento do CNPJ pela Receita Federal.
Como abrir MEI em 2026
Abrir o MEI é gratuito e pode ser feito inteiramente online em menos de 20 minutos. O processo é feito pelo Portal do Empreendedor (gov.br/mei), com login via conta Gov.br. Você precisará informar seus dados pessoais, escolher a atividade principal (e até 15 atividades secundárias), definir o endereço do estabelecimento e confirmar o enquadramento no limite de faturamento.
Depois de concluir o cadastro, você recebe o CCMEI (Certificado da Condição de Microempreendedor Individual) — documento que comprova o seu CNPJ e já tem validade legal para abrir conta PJ, emitir notas e assinar contratos. Em algumas prefeituras, também é necessário registrar o alvará de funcionamento, especialmente para atividades com estabelecimento físico.
O passo a passo completo — incluindo como escolher as atividades corretas, o que fazer após o cadastro e como emitir a primeira nota fiscal — está detalhado em: Como abrir MEI em 2026: passo a passo completo.
Quanto custa ser MEI
O custo mais visível do MEI é o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), pago mensalmente. Em 2026, o valor varia por atividade:
| Atividade | DAS mensal |
|---|---|
| Comércio e indústria | R$ 74,90 |
| Prestação de serviços | R$ 78,90 |
| Comércio + serviços | R$ 79,90 |
| Caminhoneiro | R$ 182,16 |
Esses valores incluem INSS (R$ 71,60), que garante acesso aos benefícios previdenciários, mais o ISS ou ICMS dependendo da atividade. O DAS é pago pelo aplicativo MEI ou pelo site do Simples Nacional, com vencimento no dia 20 de cada mês.
Mas o DAS não é o único custo. Existem despesas que raramente aparecem nos tutoriais de abertura de MEI: multas por atraso no DAS, custos com emissão de nota fiscal em alguns municípios, a necessidade de contador para casos específicos, e — o mais relevante — o custo de oportunidade das limitações do regime. O artigo Custos ocultos de ser MEI em 2026 detalha cada um desses pontos com valores reais.
O atraso no pagamento do DAS gera multa de 0,33% ao dia (limitada a 20%) mais juros pela taxa SELIC. Após 12 meses de inadimplência, o MEI pode ser cancelado de ofício pela Receita Federal.
Obrigações do MEI
DASN-SIMEI: a declaração anual
Uma vez por ano, todo MEI precisa entregar a DASN-SIMEI (Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual). O prazo é sempre 31 de maio do ano seguinte ao exercício — portanto, a DASN referente ao faturamento de 2025 deve ser entregue até 31 de maio de 2026.
A declaração é simples: basta informar o faturamento total do ano (dividido entre comércio, indústria e serviços) e confirmar se houve contratação de funcionário. O sistema calcula automaticamente se houve extrapolação do limite. Não há imposto adicional a pagar na DASN — ela apenas formaliza o que já foi recolhido mensalmente pelo DAS.
A entrega é feita pelo Portal do Simples Nacional (simei.receita.fazenda.gov.br). Quem não entrega no prazo recebe multa mínima de R$ 50,00, e o CNPJ pode ficar irregular para emissão de certidões.
MEI pode ter funcionário?
Sim, mas com restrições. O MEI pode contratar exatamente um empregado, com salário não superior ao salário-mínimo nacional (R$ 1.518,00 em 2026) ou ao piso da categoria profissional. Ao contratar, o MEI passa a ter obrigações trabalhistas: registrar o funcionário em carteira, recolher 3% de INSS patronal sobre o salário, recolher FGTS (8%) e cumprir todas as obrigações da CLT.
A contratação de mais de um funcionário descaracteriza o MEI — o CNPJ deve ser convertido para ME (Microempresa) nesse caso.
Conta PJ para MEI
Misturar conta pessoal e conta do negócio é um dos erros financeiros mais comuns entre MEIs. Além de dificultar o controle financeiro, pode criar problemas na declaração de IR pessoa física — a Receita Federal pode interpretar movimentações pessoais como receita da empresa.
Hoje existem contas PJ totalmente gratuitas com funcionalidades adequadas para MEI: Nubank PJ, Inter PJ, C6 PJ e Mercado Pago, entre outras. O comparativo completo com taxas, rendimento em conta e diferenciais está em Melhores contas PJ gratuitas para MEI em 2026.
Quando sair do MEI
Ao se aproximar do limite de faturamento
Se o seu faturamento acumulado nos primeiros meses do ano indica que você vai ultrapassar R$ 81.000,00 até dezembro, o momento de agir é antes de extrapolar o teto — não depois. Quem ultrapassa o limite em até 20% (ou seja, fatura até R$ 97.200,00 no ano) pode migrar para o Simples Nacional retroativamente ao início do ano. Quem ultrapassa 20% é excluído do Simples Nacional e passa para o Lucro Presumido — um regime mais caro e complexo.
Quando o MEI deixa de valer a pena
O MEI não é sempre a melhor opção. Para algumas atividades e faixas de faturamento, abrir uma ME no Simples Nacional resulta em carga tributária menor — especialmente quando a atividade se qualifica para o Fator R (proporção entre folha de salários e receita bruta), que pode reduzir a alíquota efetiva de serviços para 6%.
Além disso, o MEI não permite dedução de despesas do imposto, não tem acesso a determinados tipos de licitação pública e não pode ter sócios — limitações que podem travar o crescimento do negócio.
O artigo Quando trocar MEI para Simples Nacional em 2026 apresenta a simulação tributária completa para as principais faixas de faturamento, com a conta do quanto você pagaria em cada regime.
A migração do MEI para o Simples Nacional deve ser solicitada no Portal do Simples Nacional até o último dia útil de janeiro do ano-calendário em que você quer estar no novo regime. Fora desse prazo, a mudança só é possível para o ano seguinte — exceto em casos de abertura de novo CNPJ.
Calculadoras gratuitas
Dois pontos costumam gerar mais dúvida no dia a dia do MEI: qual regime tributário compensa mais e quanto sobra de faturamento depois de pagar DAS, impostos e despesas. Para responder a essas perguntas com os seus números, use as calculadoras gratuitas do FreelaSemCrise:
Comparador de CNPJ: simula sua carga tributária como MEI, ME no Simples Nacional e autônomo PF lado a lado, com base no seu faturamento mensal e tipo de atividade. Acesse: Comparador de regime tributário.
Quanto sobra: calcula quanto realmente fica no bolso depois de DAS, impostos, INSS e despesas operacionais — o número que a maioria dos MEIs nunca calculou corretamente. Acesse: Calculadora Quanto Sobra.
O MEI é uma porta de entrada para a formalização — não um destino permanente. Entender seus limites e obrigações desde o início evita surpresas fiscais e permite planejar o crescimento do negócio de forma estruturada.
Está pensando em abrir seu MEI agora? Comece pelo passo a passo completo de abertura em 2026. Já é MEI e quer entender se ainda compensa? Leia quando trocar para o Simples Nacional.